MATAR PARA SALVAR? DESRESPEITAR PARA RESPEITAR?

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É sabido que práticas de vivissecção e testes em animais são feitas nas escolas de medicina veterinária, medicina humana, biologia, entre outros cursos. O uso de animais vivos ou que são eutanasiados para fins didáticos é controverso e gera muitas discussões tanto de leigos nesta área, quanto de estudiosos – alguns defendendo, outros banindo a prática. O fato é que devemos pensar na quantidade de vidas que são interrompidas para estudos que, algumas vezes, não têm o menor sentido. Estudantes também se tornam vítimas indiretas de tais práticas, ficando insensibilizados, familiarizados com estas práticas. Eis o meu relato:

No meu segundo ano de faculdade, um professor da disciplina de Avicultura e Doenças das Aves deu uma aula prática que há muitos anos repetia com cada turma do curso: necropsia de algumas galinhas para tentarmos achar as doenças estudadas em aulas teóricas. Até aí, normal para um curso de medicina veterinária. Entretanto, as galinhas foram levadas à porta da sala de necropsia vivas e cabia aos alunos sacrifica-las para a aula prática. Uma aluna se recusou a torcer o pescoço da ave por ter dó do bicho. Eu me recusei porque além de ter dó, achava totalmente desnecessário este ato só para abrirmos uma galinha pela milésima vez (já que nas aulas de anatomia havíamos feitos isto diversas vezes). O absurdo é que o professor foi enfático quando disse que o aluno que se recusasse a participar de qualquer momento da aula (inclusive o momento de torcer o pescoço da galinha), consequentemente estaria se recusando a participar da aula e, sendo assim, perderia pontos na disciplina. A imposição do professor desrespeitou os princípios éticos de diversos alunos, não?

O uso de animais saudáveis em experimentos traz à tona estas questões éticas e morais. Por que matar um camundongo é menos repulsivo que matar um cão? E por que matar um vira-latas é menos grave que um cão de raça? O que dá ao homem o direito de decidir e usar um animal – que em quase 100% das vezes possui fisiologia e anatomia completamente diferentes do ser humano – para estudar doenças humanas e seus tratamentos? É ético fraturar a mandíbula de um animal saudável para estudar técnicas cirúrgicas? A dor que este animal sentirá no pós-operatório justifica tal prática?

A reportagem feita pelo programa Globo Universidade (abaixo) mostra a polêmica que tais práticas podem gerar:

http://globotv.globo.com/rbs-rs/jornal-do-almoco/v/a-polemica-do-uso-de-animais-saudaveis-em-pesquisas-de-medicina-veterinaria/1948664/

Os animais estão em igualdade com os seres humanos por também possuírem sistemas nervosos, ou seja, são capazes de sofrer. Em 1975 Peter Singer (filósofo australiano e autor do livro Libertação Animal) fez a seguinte pergunta: “O que nos dá o direito de usar animais? Por que podemos sobrepor a nossa vontade à deles?”.

Para finalizar esta postagem, explico que existem métodos alternativos ao uso de animais que visam reduzir o número de animais utilizados em determinados experimentos, diminuir o sofrimento animal por meio de treinamento e refinamento de pessoal e, sempre que possível, substituir completamente o uso de animais por outros métodos (replacement)… É a conhecida filosofia dos “3 Rs“.

A faculdade de medicina da Unifesp já introduziu o uso de ratos de pvc em aulas práticas de microcirurgia:Imagem

As medidas alternativas seriam:

  • Utilizar cadáveres de animais mortos em circunstâncias naturais;
  •  Realizar o mínimo de procedimentos prejudiciais em animais com finalidade de gravar softwares que serão utilizados por estudantes de todo o mundo;
  • Modelos e simuladores mecânicos;
  • Filmes e vídeos interativos;
  • Simulações computacionais e de realidade virtual;
  • Acompanhamento clínico em pacientes reais;
  • Auto-experimentação não-invasiva;
  • Utilização não-invasiva e não-prejudicial de animais;
  • Experimentos com vegetais, microorganismos e in vitro;
  • Estudos de campo e observacionais.

Os gastos com cada procedimento são relativos, já que a manutenção de canis, a captura de animais errantes e a manutenção de biotérios possuem alto custo.

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Foto acima: protesto contra uso de animais em experimentos de cosméticos na Espanha.

Inté!

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